Noite das mil faces – 01

As Trevas

scary-corridor (1)

A cada passo dado uma dor excruciante corria em seus músculos, pareciam ser arrancados e dilacerados numa tortura eterna. Seu corpo estava todo ferido, seu sangue deixava rastros por onde passava; suas pernas começavam a fraquejar, sua visão começava a falhar ficando embaçada, suas mãos procuravam por um apoio, a escuridão a impossibilitava de encontrar até que conseguiu sentir a parede com suas mãos e seu corpo já não aguentava, estava perdendo suas ultimas forças.

Caminhava com dificuldade, suas forças se esvaiam de suas pernas. Em um ultimo ato de desespero para não cair no chão, suas forças haviam sumido por completo e seu corpo ia de encontro com o chão. Seus olhos fechavam lentamente, um último suspiro de agonia era dado e sua vida ia embora com aquele suspiro. Sua alma precisava descansar mais do que seu corpo.

O som de gotas caindo no chão úmido do longo corredor escuro se misturava ao dos pequenos ratos correndo, a respiração da garota caída ia se enfraquecendo com o passar do tempo. Sua vida ia embora lentamente. Vultos brancos de crianças surgiam pelo corredor, brincando e rindo, as imagens iam se desfazendo, tornando-se negras e sem forma. Barulhos de passos ecoavam pelo corredor, misturando se com as risadas que logo cessavam. A garota abria seus olhos, sua visão estava pior mais embaçada só podia ver um vulto branco vir em sua direção.

Um jovem de terno branco parava em frente à garota, seu rosto estampava um sorriso sádico que ia de orelha a orelha, ao mesmo tempo conseguia manter sua beleza irradiante, seus olhos eram escondidos pela escuridão. Ele se agachava perto da garota e passava sua mão direita sob os negros cabelos dela.

– Achei que não conseguiria chegar a tempo. –Sua voz era suave e agradável enchendo o coração da garota de alegria e afastando todo o seu desejo de morte.

– Minha bela criança, você tem que tomar mais cuidado não é sempre que alguém poderá te salvar, demônios podem tentar roubar o seu corpo. – Era um pouco mais fria sua voz mesmo assim continuava suave. Levava sua mão direta ao rosto da garota e a acariciava, ela já estava fria, mas sua mão era quente e trazia um aconchego. – Gostaria de continuar vivendo?

Aquela pergunta para a garota só havia uma resposta, seus olhos se enchiam de lagrimas, com muito esforço conseguia falar baixo sua resposta. – Não. – Voltava a fechar seus olhos fazendo com que as lagrimas escorressem pelo seu rosto, seu único desejo era encontrar a morte e descansar pela eternidade.

O rapaz continuava a sorrir e a pegava em seus braços sujando seu terno com o sangue da garota, seus lábios tocavam suavemente a testa dela em um ato de carinho que poderia salva-la daquilo que tanto deseja.

Enquanto caminhava para sair daquele corredor, dois vultos paravam a frente dele, era uma garotinha e um garotinho, pareciam beirar a idade de oito anos, eles sorriam e pareciam esperar algo do rapaz.

–Muito obrigada por terem achado ela, sem vocês não iria conseguir. Agora vão até o Pierre e digam a ele para prepara a carruagem e que consegui encontrá-la. Precisamos sair imediatamente daqui. – As crianças apenas assentiam com a cabeça e desapareciam na escuridão.

A carruagem se encontrava na saída do corredor que dava para dentro de uma floresta, o cocheiro descia e abria a porta para o rapaz, era uma carruagem que a primeira vista parecia bem comum, simples negra fechada com duas lanternas próximas ao cocheiro e duas portas uma em cada lado da carruagem, por dentro era confortável com estofados de veludo vermelho, e algumas cortinas para fechar as janelas que havia nela, eram cortinas negras. Ele a deixava no banco a sua frente e fechava as cortinas deixando apenas a atrás dele aberta e batia no vidro que havia dava para as costas do cocheiro.

– Pierre. Vamos logo antes que eles venham atrás de nós. – A voz do rapaz demonstrava preocupação.

– Sim mestre. Já iremos partir. -Era uma carruagem silenciosa, com um novo tipo de tecnologia, não tinha necessidade de cavalos e poderia ser pilotado por um pequeno volante e pedais. Podendo andar tranquilamente pela floresta, suas rodas eram de metal e havia alguns espinhos espalhados. Era uma carruagem especial para aquele momento, desenvolvida pelo próprio jovem. Partiam sem demora daquela floresta.

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