Noite das mil faces – 03

Nova vida

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A carruagem parava lentamente, sua porta se abria deixando uma leve brisa entrar na cabine, o rapaz se levantava sendo o primeiro a descer sem dizer uma palavra ou olhar para trás. Angel ajudava a garota a descer, olhava atentamente para tudo ao seu redor seus olhos se maravilhavam com uma paisagem bela nunca vista por ela.

A casa a sua frente era composta de três andares, uma escadaria se formava mais a sua frente tinha poucos degraus e terminava numa grande porta de madeira toda trabalhada com desenhos que não podia se identificar ao certo o que era. O que lhe chamava mais atenção na casa era seu último andar todo feito com paredes de vidro. Seus olhos se maravilharam mais ainda com o jardim, cheio de flores e grandes árvores que nunca havia visto.

Três empregados se mantinham parados em frente à porta da casa, Angel ao se aproximar com a garota, o homem abria a porta, era um senhor que beirava a casa dos 60 a 70 anos, não podia saber ao certo a idade do homem, pois estava de cabeça baixa quando passara por ele. No saguão principal a decoração era simples, poucos móveis apenas alguns quadros e vasos, ao olhar para o teto havia um grande lustre de cristal com vários detalhes feitos em cobre, era grande e se destacava na sala junto com a escadaria que levava ao segundo piso, a escadaria era feita todo de mármore negro com filetes de ouro, seu corrimão era de madeira com detalhes em cobre formando desenhos de flores.


Subindo a escadaria ela notava que em cada lado havia duas portas duplas de madeira que davam acesso para o resto da casa no primeiro andar. No segundo piso a parede em frente à escada era toda de espelho, e a poucos passos podia se ouvir o som de água correndo, elas iam para o lado direito da casa, após acabar a parede de espelho podia ver uma segunda escadaria feita todo de vidro e parecia correr água por ela, mas não conseguia observar direito aonde dava a escadaria.

Caminhavam por um longo corredor, só havia uma única janela que se encontrava no final dele, a janela era a parede toda e deixava o corredor com uma boa claridade. Portas e mais portas se encontravam fechadas a única aberta era última. Angel parava em frente à porta, segurava a mão da garota e lhe entregava uma caixinha de metal negro com dois botões em bronze e sorria.
-Espero que esse quarto lhe agrade, já foi todo preparado para lhe receber. Essa caixinha e para você me chamar quando necessário, aperte apenas o botão da esquerda, o da direita você só irá apertar se estiver correndo risco de vida. Não importa onde você estiver ao apertar o botão eu irei lhe encontrar. Aproveite para descansar.

A garota olhava com todo cuidado a caixinha que lhe fora entregue, mas ao voltar seu olhar para perguntar mais algumas coisas a Angel, ela já havia se retirado. Ao entrar em seu quarto, ficava encantada com a beleza do cômodo. Diferente do saguão aquele quarto era muito bem decorado, uma estante cheia de livros ao lado uma pequena mesa de centro com duas poltronas, ao fundo as cortinas abertas mostravam uma porta de vidro que dava saída para uma sacada, caminhava em direção a sacada quando uma batida na porta interrompe. Parada na porta havia uma mulher, era bem mais velha que Angel e usava roupas parecidas com a dela, mas seu vestido era maior indo até os pés.

– Senhorita o mestre lhe chama. Peço que me acompanhe ate o cômodo que ele se encontra. – Sem dar chances a garota de perguntar se virava e saia em passos calmos, com um pouco de dificuldade a garota apressava os passos para conseguir seguir a mulher.
Elas desciam a escadaria e caminhavam para o lado direito ao passar pela porta de madeira, havia mais um corredor igual ao andar onde estava novamente todas as portas estavam fechadas, mas ao passar pela terceira porta fechada a quarta se encontrava aberta, era o escritório do rapaz. A mulher apenas articulava com a mão para a garota adentrar no recinto.

A sala era enorme em ambas as paredes laterais eram ocupadas totalmente por prateleiras cheias de livros que iam ate o teto, ambas havia escadas e uma passarela feita de cobre. No centro apenas um tapete persa tomava conta ao fundo uma escravinha de madeira negra cheia de livros e um abajur com uma cúpula que formava um vitral colorido. Ao fundo da mesa três janelas formavam um vitral, a do meio ostentava um desenho de uma mulher sem rosto, algo chamava e atraia toda a atenção da garota para o vitral, ela caminhava desatenta para perto do vitral queria poder o olhar mais de perto.

O rapaz ao notá-la entrar percebe que seu olhar estava voltado apenas para o vitral da sala, um sorriso surgia em seu rosto e caminhava em direção a garota.
–Bom dia minha criança, parece que ficou interessada no vitral. – Ele caminhava ao lado dela, que ao ouvir sua voz o olhava assustada e parava de caminhar.

–Me desculpe, não o vi.

–Tudo bem. Gostaria de lhe desejar boas vindas a minha residência, também tenho alguns documentos para lhe entregar. – Se dirigia para a mesa enquanto falava com a garota. – Mil perdões. Acho que não pude me apresentar corretamente. –Se virava para ela mantendo seu sorriso. – Sou Adrian Dillenburg, ministro da ciência e novas tecnologias.

Ela não demonstrava nenhuma emoção, não aceitava ainda o fato dele ter tirado seu destino de morte. – Me desculpe, mas não posso me apresentar direito, não sei meu nome, apenas sei que me chamavam de X1, não me lembro de muita coisa do meu passado. – Seu olhar se desviava em direção ao chão, sua voz demonstrava irritação.

–Não se preocupe minha criança, seu nome agora será Siena Dillenburg e será minha esposa. – Caminhava em direção a ela sorrindo e com uma caixa em mãos, ele segura a mão dela e coloca a caixa sob sua mão. – Abra seu novo futuro está ai.
Era uma caixa de madeira com um laço vermelho algo simples, ela retira o laço e abre à caixa, seus olhos mostravam sua confusão com o conteúdo da caixa. – O que é isso?

–Esses são todos os papeis que precisa para viver como uma cidadã nessa cidade, alguns passaportes para poder ir às outras cidades. Como será minha esposa, preciso que esteja tudo correto com sua vida, nos papéis está tudo escrito o que precisa saber se tiver duvida Angel lhe ajudará, agora preciso me retirar e ir à câmara. Novamente seja bem vinda. – Ele saia da sala, deixando ela sozinha naquele lugar.

Siena volta a olhar para o vitral e se aproxima dele, mas uma voz lhe chama a atenção, era Angel.

–Preciso que me acompanhe de volta para seu quarto, terá uma agenda cheia amanha, precisa descansar. – Ela sorria para Siena que apenas assentia com a cabeça e a seguia em silencio. Ao terminar de subir a escada ela não resiste em falar.

–O que terei que fazer amanhã? – Seu olhar era de curiosidade, aquilo teria haver com a questão dela ter que se casar com ele.

–Fique tranquila, só terá algumas aulas como de etiqueta a mesa e piano, provavelmente irá gostar. Vamos, vamos, você precisa descansar.

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