Noite das mil faces – 06

Noite do baile – Parte 01

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A noite tão aguardada chegava, mas Siena se sentia um pouco incomodada, pois estava acostumada apenas a conviver com o serviçais, não sabia se iria se sair bem lidando com outras pessoas.

Em seu quarto Angel a ajudava a se arrumar, o vestido era levemente complicado, havia muitas partes a serem postas para fechar a roupa completa. Era de um tom negro, sua primeira saia era curta, indo até metade de sua coxa já na parte de trás formava uma longa cauda, o tecido da cauda tinha algumas penas dando a impressão de ser a cauda de um pássaro. A segunda saia era uma gaiola de ferro e ia por cima da primeira, a gaiola ia até o joelho, uma terceira saia era posta por cima da gaiola era apenas um tecido fino com fios de ouro que iam na mesma altura da gaiola.


Usava uma bota de salto fino cheia de fivelas banhadas em ouro.  Um corpete negro era posto em sua cintura, modelando perfeitamente seus seios e deixando com um decote que chamaria atenção de todos, o acabamento do corpete era feito em pedraria vermelha, junto ao corpete vinha uma longa gola alta formada com penas e pequenas hastes de metal para que ficasse em pé, aquela gola lhe dava uma aparência de rainha.

Seu cabelo estava preso em um coque bem alto, sendo segurado por uma pequena coroa, algumas penas eram colocadas na coroa e alguns fios soltos. Siena se olhava no espelho e se sentia um pouco com aquele visual, parecia ser o próprio agouro de morte daqueles que estavam indo a festa.

Sua maquiagem era simples, sombras em um tom negro e vermelho, batom vermelho como o sangue. Por um momento ela encarou a máscara em cima do banco próximo ao espelho, caminhou até ela e a pegou, assim pôs em seu rosto. O tom de seus olhos eram mais destacados pelo tom preto em volta, a máscara havia uma parte toda em penas próxima aos olhos e um longo bico negro, parecia até mesmo o bico de um animal. Ficou se encarando no espelho por um momento, parecia um corvo, estava se sentindo um pouco mal com aquilo, seu medo falava mais alto, não queria decepcionar ninguém naquele baile. Sua mente estava perdida em pensamentos, mas ao ouvir a voz de Angel parou para prestar atenção.

– Está muito bela senhorita. Irá fazer sucesso no baile, espero que aproveite bastante e se divirta.

Siena sorria sem graça para a criada, que era mais amiga do que uma simples serviçal que a acompanhava.

– Obrigada.

Um som de batida a porta fazia com que Angel caminhasse em direção e a abrisse apenas um pedaço, era o cocheiro, Siena não conseguia ouvir exatamente o que ele dizia, mas provavelmente estava avisando que a carruagem estava pronta e ela deveria descer, teve certeza que era aquilo ao ouvir sua criada respondendo o homem.

– Ela já está pronta, logo iremos descer.

Fechou a porta e voltou para perto da garota, ficando de frente para ela e assim segurava em ambas as mãos da garota, Angel tinha certeza que aquela garota a sua frente estava morrendo de medo de tudo dar errado, além que Adrian costumava deixar todos à sua volta com o medo de fazer algo que ele não gostasse.


-Não se preocupe, tenho certeza absoluta que irá se sair muito bem. Apenas faça tudo que aprendeu e nada irá dar errado. Agora temos que ir, pois se o cocheiro já veio o próximo a aparecer será o senhor Adrian e não será nada bom.

Segurou a garota pelo pulso e foi a puxando para fora do quarto, sem deixar que dissesse alguma coisa. Ao chegar à escadaria principal da casa, os criados que passavam por ali paravam para admirar a beleza da jovem.

Logo observou Adrian parado a porta e parecia bastante impaciente, mas ele estava belo e de um modo estranho aquela beleza a atraía, suas roupas combinavam perfeitamente, um casal de corvos negros. Ele usava uma máscara igual, a gola de seu fraque era alta e com penas, todos os botões eram de rubi e usava uma calça negra mais justa que era encoberta por um coturno que ia até o joelho.

Chegando próxima a ele, podia notar o sorriso de satisfação no rosto do homem, ele se aproximou dela e sussurrou em seu ouvido, sua voz era calma e gentil, mas ao mesmo tempo passada um ar assustador que a deixava com receio.

– Espero que nada saia errado.

Siena engolia seco aquelas palavras, ficando mais nervosa ainda, desde que chegou mal teve convivência com 5 pessoas ao mesmo tempo, não sabia se iria conseguir interagir com mais. Nunca havia visto nenhuma daquelas pessoas, apenas por fotos que Angel havia mostrado do jornal, pelo menos sabia quem seriam seus pais.

Todo o percurso da casa de Adrian até a residência do primeiro ministro foi de total silêncio, ela mal conseguia o encarar, foram os 20 piores minutos daquele dia… Estava rezando baixo para que nada desse errado. Chegando já próxima a casa podia ouvir a música alta, olhou pela janela da carruagem e notou vários fotógrafos e pessoas importantes que Angel havia lhe informado.

Logo a carruagem parou e os mordomos vieram abrir a porta, assim a ajudando a descer e não estragar sua fantasia, ela sorria sem jeito e agradecia os mesmos. Mas algo a deixou com mais medo, Adrian parecia outra pessoa, se aproximou dela e a segurou pelo braço de uma forma carinhosa e cheia de ternura. Um dos homens que estava a porta segurando a prancheta pedia pelos nomes a serem anunciados.

Estava tão distraída observando as coisas ao seu redor que mal prestou atenção ao que Adrian dizia ao homem, apenas o viu sair correndo e não se demorava muito para voltar. Eles caminharam para a grande porta que logo se abria, Siena olhava surpresa para o tamanho do local, por fora parecia tão pequeno. Estavam no topo de uma grande escadaria, dali podiam ver tudo na festa o enorme buffet, estátua de gelo ao centro, pessoas conversando, dançando e bem ao fundo uma orquestra. Logo se ouviu a voz do homem anunciando seus nomes, mas uma única frase a fez engolir seco e respirar fundo. Precisava sorrir e fingir que estava acostumada aquilo.

-Deem as boas vindas a filha do primeiro ministro e de nosso querido ministro da ciência Adrian.

Todos aplaudiam, mas podia se notar que muitos cochichavam e pareciam confusos em ver os dois juntos, aquelas fantasias negras se destacava na multidão toda colorida, eles se tornavam o centro de toda atenção naquele momento em que desciam a escadaria.

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