Noite das mil faces – 07

Noite do baile – Parte 02

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A fantasia do primeiro ministro era algo bem chamativo comparado aos outros convidados, ele estava como o grande rei da selva. Adrian se segurava para não rir daquela peruca espalhafatosa que parecia a juba de um leão, o homem já chegava de braços abertos, pela sua tonalidade de pele Adrian sabia que ele já havia bebido bastante naquela noite que mal havia começado. Ele vinha com um sorriso animado no rosto e assim abraçava Adrian.

– Adrian… Adrian…Adrian, obrigada por ter elaborado uma festa tão maravilhosa. Está fazendo este dia de comemoração o melhor de minha vida. Muito obrigada mesmo.

Logo ao soltar o jovem rapaz, ele se virava para a moça e sorria de um modo bobo.

– Está muito bonita, minha mulher vai ficar muito feliz em conhecer você. Poderia por favor me acompanhar.

Sem deixar a garota dizer qualquer resposta, o ministro a segurou pelo pulso e a puxava em direção ao uma varanda mais afastada de toda aquela barulheira. Podia ver a mulher sentada sozinha admirando o horizonte, passava por uma alta porta de vidro para chegar a varanda, ao se aproximar mais da mulher pode notar o jardim monumental que havia logo abaixo daquela varanda, era enorme tendo até mesmo um labirinto.

Ela logo se virou e ao notar os dois se levantou, a mulher usava uma fantasia de leoa, mas era bem mais simples que a do marido.

– Anne esta é Siena, a moça que será a nossa filha.

Siena notou um sorriso de total desaprovação da mulher diante aquilo que marido falava. Logo abaixou a cabeça com certa vergonha.

– Seja bem vinda a nossa família. Amor poderia nos deixar um pouco a sós, além que seus convidados desejam sua atenção e não a minha.

O ministro apenas assentiu com a cabeça e se retirou sem dizer mais nenhuma palavra. Siena estava sem saber como agir, seu medo em fazer algo errado a lhe deixava bastante tímida. A mulher ao sentir a timidez da garota sorria.

– Venha sente se um pouco, vamos conversar, tenho certeza que ninguém irá nos incomodar.

A garota se aproximava e assim se sentava na cadeira ao lado da mulher, ajeitou o vestido e logo retirava a máscara e a deixava em cima de seu colo.

– Me desculpe pude notar que a senhora não aprova isto que está acontecendo. – Sua voz era baixa, mostrando estar claramente com uma grande timidez e receio.

– Como sabe que não aprovo? – Anne olhava sem entender como a garota podia saber o que estava se passando em sua mente.

– Pude notar por sua feição, me desculpe…Também acho estranho, por mais que esteja gostando da ideia, de ter alguém para chamar de mãe.

Ao ouvir as palavras de Siena, pode notar que eram verdadeiras e que a garota não era nada parecida com Adrian e que poderia estar sendo apenas mais uma vitima daquele homem cruel.

– Siena não é? Você é bem diferente do Adrian.

– Sim. Passo pouco tempo com ele, sempre está em seu escritório ou alguma viagem, raramente dá as caras no jantar ou almoço.

– Então venha almoçar comigo, poderemos conversar melhor  e assim nos conhecermos, vamos aproveitar essa loucura dos dois. Além que sempre quis ter uma filha, mas essa doença que assola a todas as mulheres, nunca me deixou ter. Nem mesmo as curas que meu marido pode pagar deram algum efeito.

Uma silhueta negra surgia próxima as duas, Sienna tinha quase certeza que era Adrian, pois sabia o quanto ele gostava daquele tipo de entrada. Aquela voz era sempre doce e gentil, mas ao fundo sempre trazia um medo gigante a tona.

– Senhoritas a presença das duas está sendo requisitada no salão de baile. Temos que dançar pelo menos uma música minha bela corvinha. Terei uma surpresa após a nossa dança.

Ambas se levantaram sem dizer uma palavra, Sienna colocou a máscara e se juntou ao lado dele, segurando em seu braço, Anne observava eles se distanciar, em sua mente sentia um aperto em seu coração, algo dizia para não deixar a garota nas mãos daquele homem. Acabava por dizer em voz baixa.

– Pobre garota.

Ao chegar ao salão, Adrian fazia um sinal a banda que logo entendeu o recado e começava a tocar uma valsa mais tranquila, a música perfeita para o casal, os dois caminhavam para o centro do salão, os que estavam na frente abriam caminho ao casal e os deixavam sozinhos de início. Logo os outros se juntavam a dança, tudo corria perfeitamente, nada saia errado ou fora do plano.


A mente da garota estava longe enquanto dançava, sabia que após aquela dança precisaria fingir uma reação perfeita e que nada ali poderia sair errado. Sem perceber a dança acabava e o via se afastar calmamente e caminhar em direção ao palco, suas mãos estavam suando frio, estava preocupada e com medo.

O silêncio tomou conta de todo salão ao verem o rapaz subindo ao palco, alguns dos jornalistas já se preparavam próximos ao palco, alguns cochichos podiam ser ouvidos, olhos curiosos estavam fixos a imagem de Adrian, um dos cantores da banda pegava o microfone e anunciava.

– Boa noite senhoras e senhores, recebam ao palco o ministro da ciência Adrian.

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