Noite das mil faces – 08

Discurso de casamento

08

– Boa noite a todos, prometo que serei breve e assim logo continuaram a se divertir. Antes de tudo, só tenho muito a agradecer ao primeiro ministro, pois se não fosse por ele nunca teria conhecido a mulher mais perfeita que pode aparecer em minha vida. Olha que nem estou falando de minha mãe.

Ele dizia aquilo para quebrar um pouco o clima tenso que estava, fazendo com que todos rissem um pouco e assim continuou a falar.


– Todos estes anos que esteve presente em minha vida, mesmo sendo pouco o tempo que tínhamos para aproveitarmos a companhia um do outro, sempre foi muito especial, sua atenção, seu cuidado, seu cheiro, até mesmo o toque suave de sua pele, fazia daqueles pequenos momentos, algo único, algo de tamanha perfeição que não poderia descrever. Por isso sempre irei te amar e a cada dia que se passa desejo mais ainda ficar ao seu lado. Não sou bom com as palavras, para poder expressar todo o amor que sinto por você. Estou para fazer o pronunciamento que mudará minha vida e não só a minha, como a sua minha querida. Então me responda a uma única pergunta que vem do fundo de meu coração, aceitaria ser minha mulher ?

Algumas das mulheres suspiravam pelas palavras ditas por Adrian, alguns homens faziam cara de deboche por aquilo, mas logo o silêncio tomou conta do salão, a luz se focou na garota que estava no meio da plateia, todos os olhares se voltaram para ela, o caminho era aberto para Siena.

A garota estava toda sem jeito, vermelha e com um olhar todo apaixonado pelo homem, por mais que soubesse que eram falsas as palavras sentiu um palpitar forte em seu peito, respirou fundo e sentiu alguém a empurrar levemente as costas para que ela andasse e assim fosse para cima do palco. Se pôs a caminhar e não demorou muito para subir ao palco, todos ainda a olhavam atentamente, as mulheres se mostravam aflitas esperando pela resposta, os fotógrafos com seus dedos a postos para tirar as fotos dos dois juntos. Com uma voz um pouco tímida logo puderam ouvir a resposta dela.

– Sim, eu aceito meu amor.  

Adrian se ajoelhava em frente a garota e retirava uma pequena caixinha, que ao abrir revelava em seu interior um anel de diamante, mas um diamante bem incomum considerado raro e só usado por pessoas muito importantes, o diamante roxo. Flashes de luzes tomam conta naquele momento, todos os jornalistas tiravam fotos, ele puxava com delicadeza a mão esquerda dela e assim colocava o anel no dedo anelar, ao terminar de colocar se levantava e assim dava apenas um suave beijo em seus lábios.

Quem via toda aquela cena achava que o amor dos dois era real, que realmente se conheciam a anos e sempre mantiveram em segredo aquele amor. Uma bela insinuação de ambos, mas Anne conseguia notar toda aquela mentira que estava acontecendo ali.
Os dois desciam juntos do palco e todos vinham a passos rápidos em direção ao casal para os parabenizar, mas logo Adrian sumia a deixando sozinha no meio daquela multidão, ela sorria de um modo meigo para todos e agradecia, estava um pouco perdida e não sabia mais o que fazer naquele momento, estava desloca, mas logo sentiu uma mão em seu pulso e ao olhar para trás viu que era Anne, que fazia um sinal para que acompanhasse.

Elas saiam daquele fervo e subiam uma longa escadaria, dando em um corredor com muitas portas, mas entravam na segunda a qual seria o quarto da garota. Ao adentrar no cômodo a mulher trancava a porta.

– Foi uma ótima encenação, enganou a todos ali presentes, um amor tão fervoroso, tão forte e inabalável. Mas a mim só posso dizer que vejo ódio no coração daquele homem e no seu uma confusão e uma subordinação tão forte que a deixou aceitar isso. O que realmente está acontecendo, não irei abrir esta porta até me dizer toda a verdade.

No momento em que Adrian deixou a garota sozinha, ele havia ido atrás de um de seus fornecedores, era um homem importante dificil de achar sozinho, mas naquela festa era o momento perfeito para conversar de um assunto de suma importância. O homem estava vestido de coruja, fazendo jus ao seu cargo de primeiro Juiz, aquele que controlava toda a justiça das cidades redomas.

– Senhor Matthew, boa noite, estava a sua procura, podemos tirar um momento para conversarmos.

O juiz olhava sério para Adrian e apenas assentiu com a cabeça e caminhava para uma varanda que não havia ninguém. Assim que ambos se juntaram a varanda, Adrian trancava a porta e caminhava em direção ao homem.

– Notei que o senhor não está querendo ter a sua parte nos lucros deste mês, está me atrapalhando bastante e fazendo perguntas que não devem ser feitas. – Ele rodeava o juiz como um tubarão esperando pelo momento certo para atacar a sua vítima. – Não estou feliz com isto. Acho que sua mulher também não iria ficar muito feliz em saber o quanto adora ficar naquele prostíbulo da cidade redoma de Nova York.

– Ninguém precisa saber do que faço, muito menos minha mulher, você não ousaria fazer tal coisa Adrian, sabe que posso atrapalhar todos seus projetos com apenas um mandato de prisão.

Adrian parava em frente ao homem e ria de maneira cínica, não se importando com o que o homem dizia.

– Não se esqueça, irei me casar com a filha do primeiro ministro, não poderá tocar um dedo em mim. Apenas estou pedindo por sua colaboração, terá um bom lucro se fizer o que eu mando, siga as minhas ordens e será muito bem recompensado. Esta é a última vez que irei dizer isto ao senhor,tenha em mente que o próximo aviso não será tão agradável, imagino qual seja a sensação de ver o corpo de sua mulher e filha mutilado e espalhado pela cidade.

Após aquelas palavras seu sorriso era demoníaco e ria dando as costas ao homem e assim indo em direção a porta e a abrindo, sem dar nenhuma chance do homem dar uma contra resposta a ele. Aquele homem sabia que não poderia dar mais um passo em falso com Adrian, tinha certeza que ele poderia fazer aquilo que estava dizendo, não queria ver sua mulher e filha mortas.

No quarto Siena estava apavorada com a situação que estava presenciando, não sabia o que dizer e muito menos como fugir da pergunta daquela mulher, mas algo em seu coração dizia a ele que podia confiar naquela mulher, olhou ao seu redor e foi em direção a uma cadeira que havia no quarto, assim se sentou e olhou para a mulher, seus olhos estavam fixos a Anne, deixando bem claro que estava triste com aquela situação.

– Devo muito a ele, pois me deu uma nova vida. Mesmo que eu preferisse ter morrido quando ele me achou, não queria continuar vivendo naquelas condições e sofrendo tanto. – Levou as mãos ao rosto, pois se lembrava de relance de toda a dor que sentia naquele dia e seus olhos se enchiam de lágrimas. Anne ao ver aquilo intervia, pois aquilo era estranho, estava fugindo do que pensava ser.

– Mas em que lugar vivia antes de vir para Nova Londres?

– Não me lembro muito bem, era fora das cidades redomas, me lembro que apenas garotas viviam lá, mas muitas sofriam bastante e acabavam morrendo. Minha memória se foi no dia em que fui resgatada por ele, não me lembro de quase nada.

– No final de tudo, ele não é tão ruim assim como pensava.

– Sim, ele cuidou de mim, me deu um novo nome, está ensinando tudo que preciso para me tornar uma dama ideal, estou até tendo aulas de piano. Ele me falou que para que eu pudesse morar aqui e ficar legalizada precisaria ser filha de alguém, foi então que alguns dias antes do baile ele me contou que iria ser a senhora e seu marido os meus pais.

– Parece que não sabe muita coisa, me desculpe estar fazendo isto, mas não confio em Adrian, algo me diz que ele é o demônio em pessoa.

Ambas ficavam em silêncio ao ouvir o som de alguém bater a porta, Anne ficava séria e logo falava. – Quem é?  

A voz a surpreendia, novamente era Adrian as atrapalhando novamente de conversar.

– Senhora, seu marido está a sua procura, disse que deseja tirar fotos com a família reunida.

– Já iremos descer, o espartilho de Sienna estava a incomodando e viemos arrumar, logo estaremos no salão.

– Apenas não demorem. Ele respirava fundo e balançava a cabeça em modo negativo, as duas crianças apareciam em frente a ele e sorriam, como se esperassem por ordens dele. – Fiquem de olho nessas duas, não gosto desta mulher. – As duas crianças assentiram com a cabeça e entraram no quarto.

Siena não entendia bem, mas no momento conseguiu ver aquelas duas crianças e se lembrou que havia às visto no dia que Adrian a achou, algo dizia que aquilo era um modo dele ficar de olhos e ouvidos em tudo que ela fazia. Se levantou e se aproximou da mulher quase que dizendo em um sussurro e ignorava aquelas duas crianças.

– Vamos, será melhor. Sinto que ele está desconfiado de algo.

Anne abria a porta, antes de sair Sienna ouviu a risada daquelas crianças e ao olhar para trás notou que já haviam sumido do cômodo.

A festa durou até tarde, as duas ficaram juntas todo o resto da festa, conversando brincando, pareciam até mesmo mãe e filha que não se viam a um bom tempo. Antes de deixar Siena ir embora, a primeira dama se aproveitava que Adrian estava ao lado de seu marido e com isso fazia um pedido a ele.

– Adrian, gostaria de saber se Siena poderia vir almoçar comigo amanhã, já que sou a mãe, gostaria de ajudar a montar o casamento, escolher o vestido, menu, tudo que uma noiva maravilhosa merece.

Ele olhava com certa desaprovação, não gostava muito da ideia de deixar Siena ao lado dela sem supervisão, respirou fundo, não podia dizer não naquele momento.

– Claro que pode, não posso retirar a convivência de mãe e filha, não é? – Ele sorria de um modo irônico, deixando a mulher até um pouco sem jeito com a situação.


– Obrigada, espero que tenham um bom restinho de noite, durmam bem e se cuidem. Não façam nada de errado viu? – Ao dizer tais palavras caia na gargalhada, para quebrar aquele clima ruim que Adrian causava.  

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